sexta-feira, 8 de julho de 2011

Recomeçar...


É saber novamente se fazer atraente;
é se mostrar de novo...
Se fazer entender porque não te engoliram bem
e vir, bondosamente, oferecer uma nova dose de si mesmo...
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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Não entender...


Não entender é não perceber
o que há por trás do que se deixa escapar,
daquilo que não se deixa afugentar,
que não se encontra em si ao se perder.

Não entender é ver borrado.
É ver o realismo impressionista;
ver e achar que se pode confiar na vista...
desconsiderar, deixar pra lá, deixar de lado

E não entender é eterna confusão
onde achismo e essência são um misto
que resultam em algo esquisito,
algo nada igual, uma primeira impressão

Não entender é escrever pra dentro
É desejar a forma e não vê-la feita
Não saber porque resulta imperfeita
quando tudo o que se quer é explicar um momento

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A história dos números...



Olharam de lá, todos eles gritaram: "Mortais!"

O que queremos nós (além de tudo o que já temos, claro)?

Descobriu-se que a resposta era perturbadora, não queríamos nada! A verdade é que a resposta lhes pertencia e os queríamos sempre... sempre...


1... a vida começa de um ponto válido...

2... a junção de dois pontos válidos resulta em sentimentos - bons ou ruins...

3... surge a religião e se segue o mandamento bíblico, 'Crescei... multiplicai...'

4... socialização era preciso...

5... agrupar-se para sobreviver (e surge o egoísmo)...

6... surgem os ideais (divisões iguais em âmbito interpessoal... 2 e 3)

7... há as excessões, n°s primos, as poucas possibilidades ante um que se apodera... comandante...

8... Coesão e coerência, amigo! Um discurso não agradará a todos...

9... a perfeição mais irônica: seres unidos e individualizados...

0... nunca o nada, nunca imparcialidade: Decisivo!

Joguemos com os números!
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Eles vieram a nós e ficaram entre nós por longo tempo, pelo infinito... E eram adorados como deuses e desprezados como imundos... Sempre precisão, exatidão, nunca esse sentimentalismo exacerbado, beirando o romântico, nunca reticências... e sempre duvidosos a todos, por não se saber aplicá-los... só se aprende a manipulá-los ante a humanidade (com estatísticas)...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Anos de Liberdade...



Sem nexo.
Sem lógica.
 No stop.
Há liberdade.
Foi inventada em tempo curto.
Foi disponível e, por fim, acabou.
A humanidade sucumbiu.
Há mortos-vivos por aí.
Conversam com você.
Debatem com você dentro de uma ilusão.
Tudo preso em ilusão.
Mas, de repente, revolução e algum são pronuncia:
"Estão novamente em vigor, por tempo determinado, os Anos de Liberdade."
E os mortos ressuscitam
(para morrerem vivos depois).
E tudo continua.
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[Sem nexo]
[Sem lógica]

sábado, 2 de abril de 2011

Bem-vindos, esse é o Brasil.




Não precisa perguntar, eu confesso... houve sim, na minha vida, um dia em que eu acreditei que as coisas funcionavam nesse país.

Foi no ano passado.

Me convidaram para participar de um campeonato e eu aceitei. Calma, calma... Claro, eu tinha as minhas obrigações, as minhas 'responsabilidades', uma delas até se chamava trabalho... Por que eu aceitei, então? Ah, porque eu quis aceitar. Nesse momento em que aceitei eu queria que todo o resto se danasse... É horrível deixar de viver coisas que você vai guardar sempre consigo por causa dessas responsabilidades que, à propósito, nos são impostas para continuar vivendo. E se fosse para aceitar hoje de novo, eu aceitaria, ponto final, caso esclarecido.

Então, vamos pular já pro dia em questão. Ah, era um campeonato de xadrez...

Eu tinha treinado muito na véspera e me sentia insegura ainda. Coloquei o celular para despertar e eu não me lembro a razão mas ele não tocou... Estava atrasada e sequer sabia (porque eu estava dormindo). De repente, o telefone toca (o telefone, não o celular), eu me levanto bem relaxada 'não é a hora ainda', pensei... A voz do outro lado estava desesperada para falar comigo:

- Então, a sua equipe está te esperando aqui, o ônibus acabou de chegar e sai em 10 minutos. Vem pra cá!

(Pausa pra alguns detalhes: o telefone era sem fio, então eu corri com ele pra ver a hora no microondas; o lugar em que o ônibus estava era uns 20 minutos longe da minha casa; conclusão: não daria mesmo pra chegar lá. A sorte - vamos chamar de sorte nesse caso em especial - é que eu trabalhava e tinha grana pra ir de ônibus.)

- Não dá tempo, eu acabei de acordar...

- Você tem que ir! Sem você sua equipe será desclassificada.

(Pausa 2: Preciso dizer que essa é uma frase chave? Nessa hora eu não só me senti pressionada mas também senti que era minha obrigação salvar minha equipe... Me senti uma supergirl... Eu iria correr contra o tempo e contra o desconhecido - eu não sabia chegar no lugar do campeonato - e eu venceria tudo. Nossa! Que frase poderosa essa, rs...)

- Já estou indo.

Peguei minha roupa, escovei meus dentes, engoli pão e café com leite, peguei uma bolsa-nada-a-ver-com-a-roupa e fui salvar minha equipe. Fiz muitos amigos no ponto de ônibus com minha história. 'Você consegue chegar lá sim, pega ônibus tal, desce no lugar tal e boa sorte no campeonato', 'Obrigada' (eu sempre tão educada!). Entrei no ônibus.

(Pausa 3: Eu fiquei maluca a cada parada do ônibus, quase surtei com o trânsito, fiquei imaginando 'e se eu tivesse ido andando', - e mais coisas imbecis- porque, não se esqueça, eu tinha que salvar minha equipe! Ah, sem contar a tortura de imaginar se me deixariam passar pelo portão com só um simples papelzinho e meu RG).

Cheguei lá. Entrei numa boa. Ninguém nem percebeu que eu tinha chegado, o campeonato só começou duas horas depois. De 5 jogadas eu só ganhei 1 e, mesmo assim ganhamos medalha de prata (minha equipe foi bem melhor que eu, rs).

Sabe, eu poderia ter odiado tudo isso, mas eu até gostei. Nessas duas horas conversei com um monte de gente que eu via todo dia e que nunca tinha parado pra falar, fiquei coleguinha de uma menina muito louca (parecia euzinha naquela idade, nas maneiras), conversei, me diverti... eu só não salvei minha equipe. Ela me salvou, rsrs.
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(Pausa 4: Fiquei sabendo depois que éramos uma das poucas equipes completas. E todas jogaram sem problemas. Esse é o nosso país! - Crítica ou não, foi um dos melhores dias da minha vida. Esse é o nosso país, rs...)
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P.s: Nada de verde-amarelo, minha cor preferida é azul mesmo.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Discando com sentimentos...


Era preciso muita coragem, muita. Ela tentara fazer isso na véspera, mas não teve coragem de prosseguir, desligou quando ouviu sua voz. Mas hoje seria diferente.

Trancou a casa, a porta, as janelas, tomou um delicioso banho, tratou o rosto, colocou uma roupa linda, maravilhosa. Estava divina! Depois viria a maquiagem. Foi bem básica, mas ela estava bem mais chamativa e se sentiu mais atraente, mais mulher...

Penteou os cabelos de lado e colocou o par de sapatos mais bonito que tinha: combinava perfeitamente com tudo. Estava mesmo de arrasar. Tirou algumas fotos de si para se certificar de que estava linda. Estava mesmo. Sentiu orgulho de se sentir assim, poderosa, corajosa... Estava preparada!

Pegou o telefone, encheu-se de coragem. Raciocínio prévio, duas possibilidades: ele atender ou não atender. Se ele não atendesse ela estaria linda e desapontada, tentaria de novo. Se ele atendesse ela precisaria estar munida de toda coragem que carregava em si. Discou os números.

Suas pernas bambearam, mas se manteve firme, o telefone na orelha, respiração controlada; de repente: 'o número que você ligou está indisponível ou fora da área de cobertura...' Céus! Ela quase caiu no chão. Sentiu um calor lhe invadir por dentro, precisou sentar-se. Não era tão simples discar de novo os tais dígitos. 

Ela estava linda. Mas precisava de um tempo para se acostumar novamente com a possibilidade dele atender seu telefonema. 

terça-feira, 29 de março de 2011

Tristeza...

Como conseguia isso? Helen levantava-se todos os dias e mirava-se no espelho, sustentando sempre a mesma mentira. 'E o que é tão grande que suprime toda a sensatez?'...(É o que é tão infinito que não cessa mesmo com a mais imensa alegria...)

Levantar-se. Caminhar rápido para não pensar em si. Procurar pessoas para não sentir-se só - e não ter tempo de refletir sobre nada. Rotina... Afazeres e desenhos tão bem feitos que retratavam a alma... a alma de um outro alguém, nunca a sua própria.

De tão complexa era simples... de tão simples era fácil, de tão fácil era rapidamente aceitada. Ninguém a conhecia e ela não seria a primeira a aprofundar-se em si.

Bebia sua água e atentava-se sempre para a última gota escorrendo pelo copo. Uma última, simples, logo reprimida por Helen, que deixava subitamente de observar o reflexo de seu rosto projetado no copo...

segunda-feira, 28 de março de 2011

Às vezes, racionalmente...



Por que ter medo se é o escuro que me acolhe, 
se é sozinha que me sinto bem? 
Se a minha alma é obscura 
não será o anonimato a disfarçar isso... 
as palavras teimam em denunciar o que há dentro de quem as captura...
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Por que fugir se os pensamentos sempre me encontram, 
se as idéias me alcançam? 
Se os meus passos não são ágeis 
não será a chave que me ajudará a fugir da prisão... 
o passado insiste em se fazer presente com a ameaça de se torna o futuro...
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Por que vacilar se o chão sob meus pés é tão firme, 
se o que me sustenta faz bem seu papel? 
Se os sentimentos às vezes enganam 
não será a razão a me trazer segura ao chão... 
o coração nem sempre vence a cabeça com suas lágrimas...
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É necessário, tão necessário, pensar logicamente sobre tudo isso aqui que insiste em ficar à nossa volta...

sexta-feira, 11 de março de 2011

Condição feminina...



E eu lavei a louça bem rápido, pra não ter tempo de pensar no porquê de ser eu a estar ali, enquanto outra pessoa sentava na frente do computador e cantava em francês...
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É o inferno isto...

terça-feira, 8 de março de 2011

Minha viagem histórica..


Amanheci e coloquei o pé no chão. Era um chão diferente, mais cool, me disseram. Eu e minha mania de imaginação fomos andar por aí. Mas, o legal, é que era num outro "aí" no qual nós andávamos e, de repente, nós corríamos e voávamos, nós fazíamos revolução. E depois de tanto voar, nós paramos, do nada, só pra ver uma umas pinturas estranhas numa pedra com dinossauros nos olhando...

Depois corremos tão rápido que eu, de repente, era luz. Mais pra frente paramos para piratear com caras em barcos e pra ver guerras. Vimos ocupações. Vimos Roma crescer e cair. Vimos deuses e heróis gregos num ideal triplo. E nós ouvimos mitologia.

Mais pra frente, corremos da Peste Negra e queríamos pular toda a história só pra ver dançar Isadora Duncan e pra ver Olga desmaiando na prisão. Depois, num olhar que eu bem conhecia, me convidou pra ouvir música e ver Alma Rosé, em Auschwitz, reger sua orquestra de lutadoras. Você me convidou pra ir ao dormitório e eu fui de olhos fechados, só pra não ver horror e, então, lemos nas paredes palavras de esperança: "Amanhã eu fico triste..."

Você me convenceu a ver cartazes dos cinemas e lembrar de Anne e eu ri. Depois me jurou que acabaria bem,"você vai ver", me disse. Fui com você tranquila e, de repente, o Japão recebe uma rosa radioativa. Me desapontei. E de novo vi você falhar quando vimos começar a Guerra Fria e, então, me lembrei da Rússia, mas você não me deixou prosseguir.

Corri pra um país tropical, pensando escapar. E de repente, estoura rock'n roll, depois bossa nova (e eu ouvindo Nara cantar mesmo preferindo Elis) quando, de repente, Ditadura... E aqui e ali tudo era proibido e, percebi assim, sem mais nem menos, que o Medo estava viajando com a gente fazia muito tempo e me perguntei se você o tinha inventado... Não, eu tinha.

E, mesmo assim, pensei em retroceder a viagem para buscar a caixa da Pandora, só pra mostrar que ainda restava a Esperança, mas você me disse: "Não! Eles dirão isso com música" e eu te ouvi.

E, me lembro, de ter encolhido no canto por ver discriminação nos EUA, por ver a guerra do Vietnã, por ver repressão e depois de sorrir vendo hippies e punks. Abaixei a cabeça com o apartheid e com Ruanda, porque me lembrei da menininha e de Imaculée... E, de repente era outro milênio e eu me perguntei se tudo recomeçaria...
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Você me estendeu a mão e disse "Vem, vamos pra casa" e eu lembro de ter olhado pra trás e visto o Katrina, o Haiti, a China tremer e o Chile também. E você me dizia "Bem, eles farão uma música pra isso" e fomos embora.

sábado, 5 de março de 2011

O diário de Anne Frank



E é de novo Carnaval, e se repete o meu começo e tudo se repete. Nada é suficientemente inovador. Há um padrão pra tudo, uma ordem, uma rotina (odiosa, rs). A História é nossa rotina. Pare e pense: há diferença? Não, não há. (Conclua!) Idades? O que elas separam? Nada, elas não separam nada...
Então, é o tempo, tardio - eu sei -, mas vamos deixar de adiar. Vamos a Anne...
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Segunda Guerra Mundial, Nazismo, Holocausto, já ouviu falar? Ela viveu escondida disso num anexo secreto. Escondida com sua família, uma outra família amiga, um dentista, um animalzinho, um diário e algumas suposições. (Você bem sabe que, quando algo nos é contado, a nossa mente é capaz de supor, imaginar - imaginamos e supomos aquilo capaz de nos amedrontar). Anne imaginou e supôs, como eu e você...
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Dias, noites, bombas sendo estouradas perto demais, crianças e vidas sendo vistas por frestas sem que se pudessem compartilhar (sem que soubessem que existia alguém que as observava). Estudos, livros e sonhos de haver um depois...
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Sentimentos - bons e ruins, porque, acredite-me, mesmo que eles tenham dito "Não!", saiba, ela era humana -, o êxtase ante a natureza, as dúvidas internas, a formação da personalidade e um estilo fascinante.
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As dúvidas e a criatividade. A esperança e o trabalho. A contribuição e o exemplo. Não é à toa que é um livro traduzido pra 70 idiomas e um documento que muito contribuiu pra que conhecêssemos a história das vítimas do Holocausto. E sempre que me encontro pensando 'por quê? Por que as pessoas precisam contar sua história? Por que o mundo precisa saber delas?', eu me lembro não do livro, mas de Anne e tenho minha resposta.
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Recomendado para que você entenda que há pessoas que precisam ser lembradas... Porque, de fato, merecem.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Sugestões para um aniversário...



Tente dançar sua própria música
A um som somente seu
Procurar notas que perdeu
Como se fossem suas últimas.
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Tente cantar na prática
Em nota bem afinada
Cantar pra dizer nada
Canto-prisão, canto-máquina.
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Tente se perder em poesia morta
Num Romantismo exacerbado
Pra ver o mundo acabado
Escondidinho, atrás da porta.
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Tente fingir que tudo é festa
Pra dançar sem ter vontade
Fingir que o mundo é sem maldade
Ter "bondade" estampado na testa.
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Tente viver sem fazer greve
Fingir que tudo é perfeito
Fingir que gente tem direitos
Depois me diga se consegue.