segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Impaciência minha de cada poema...


Não, não sei o que escrever!
E, quando isso acontece, fico assim
Escrevendo devaneios só pra mim
(Mas sempre publico pra você ler...)

Você tem mais o que fazer,
Eu sei. "Onde já se viu ser assim!
Trazendo seus devaneios para mim.
Acha que sou obrigado a ler?"

Não, não é. Então, me ajude aqui!
Me diga aonde se esconderam os verbos
Mas me diga o lugar certo
Pois informação errada só faz confundir...

E se não quiser, fica assim mesmo:
Eu finjo escrever poemas pra você,
Você finge se importar com o que lê
E eu fico assim, escrevendo a ermo...

domingo, 12 de setembro de 2010

Devaneios de uma adolescente... (V)

CAPÍTULO 5: Tenho poucas uvas no meu cacho...

Os amigos nunca foram muitos: contam-se nos dedos de uma só mão os nomes daqueles que já ouviram um segredo meu. Sempre fui reservada. Quando fazia amizade eu examinava a pessoa para minha própria segurança. No entanto, o coração sempre abre exceções. E Lizzie é uma delas. Nos conhecemos num dia frio e chuvoso quando eu andava tentando não deixar que a chuva molhasse o pouco que restava de mim para me considerar encharcada. Porém, se você preferir, pode me imaginar "travando uma luta com o mal tempo", como a própria Lizzie me descrevera depois na versão dela sobre nosso primeiro contato.

- Carona? - perguntei a ela, que se escondia debaixo de uma lona para não se molhar.

- Não posso recusar, ... Alíshia??

- É. Bom, então entra aqui debaixo. Não prometo que você chega seca, mas...

Nós rimos pra caramba. Eu ria mais. Não sabia sobre o quê falar com ela e, pensava eu, quanto mais rirmos, menos tempo sobra pra falar e ela chega mais rápido no... na... Mas, aonde ela estava indo mesmo? 

- Bom... indo, indo eu não estava. Sai um pouco pra olhar o dia. De repente ameaçou chover e eu corri pro primeiro lugar que vi. Estava ali há uns quinze minutos. Já ia voltar pra casa, mas começou a relampear e, bom... Eu não tenho nada pra fazer mesmo. 

Rimos de novo. Falei que eu estava indo tomar sorvete. 

- Nessa chuva?

- É, oras. O que tem de mais nisso?

- Nada, não. Ah, me paga um então.

Preciso dizer que rimos de novo? Bom, então está registrado mais uma vez. Não me lembro de mais detalhes depois disso. O que me vem desse dia é tudo de alto, abreviado e resumido.

Sentamos na sorveteria. Ela me disse que tinha sido assaltada. Eu fiquei séria, ela riu. 


Disse que o cara era um nojento mauricinho que estava tentando aparecer pros amigos "bandbobos" ("bando de bobos", ela tinha essa mania de comer sílabas). Riu de novo e me fez rir. Mostrou o joelho ralado e concluiu a façanha repetindo o que disse ao moleque: "Eu te conheço." 

Ela não conhecia.

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Quem quiser conferir os quatro primeiros capítulos, fique a vontade...

domingo, 5 de setembro de 2010

Querer...



O que eu quero agora é simplesmente o impossível. E, mesmo assim, eu insisto em querer. Porque o que eu quero agora nem eu mesma sei definir. Só sei que eu quero. Eu quero ao som dessa música viver eternamente, o eterno durar da melodia. Não importa quantas vezes terei de repetí-la de novo e de novo até criar o meu "para sempre". Ela será eterna, enquanto durar a minha necessidade de tê-la, de depender dela.

Eu quero intensidade de tudo. Quero a intensidade do drama, da tristeza, do amor, da paz, do silêncio, da agitação. Não me importo em ser contraditória. Quero opostos, e daí? Quero ser antenada. Em mim mesma. Fica agora a oportunidade de esclarecer meu pseudônimo. Eu quero o que me atrai.

Eu quero que as entrelinhas gritem o que eu quero dizer. Quero as reticências guardiãs dos meus mistérios. Eu quero o jogo das esfinges.
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Nada, no entanto, diz por completo tudo o que eu quero. Tenho que me contentar com o favor que as palavras me fazem...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Inconsolável...



Nada me consola dos textos que não escrevi. Nada! Tenha sido por faltar a ordem certa das palavras ou por não ter tido tempo (folhas à minha disposição não faltaram). O quê, então, me impediu de deixar registrados tantos e tantos pensamentos confusos que me ocorreram? Oh! cruel intervenção temporal! Oh! cruel falta de suporte tecnológico ao qual me vejo submissa. Por que não me livrei de tuas limitações e recorri às humildes e pacientes folhas? Por quê?

Vês como me deixas agora,(e isso te satisfaz!, não?) sem ordem a pôr ao assunto. Nada me acalentará dos tais textos que não escrevi, nada...nada...nada...nada...

É dessa maneira que me encontro, inconsolável, buscando me reconfortar através de outra ordem de palavras. Quem saberá se não há ordens e ordens de palavras para cada momento? Quem saberá se tais ordens só se fazem existir em momentos pré-determinados e que tudo conspira para que essas fugitivas se encontrem algemadas em hora e data marcada para serem, por uma ínfima parcela de existência, submissas a nós, seres mortais. Vejam! As imortais submissas a nós, que devaneio o meu...

Mas, e as ordens de palavras passadas? E aquelas que se deixaram afugentar, esperaram por mim além do que deveriam e agora se foram, não voltam mais? E elas? O resultado dessa desordem é a minha auto-flagelação, uma forma de me reparar ante às deusas que me dominam: duas possibilidades para título da minha dor. "Inconsolável" ou "Das Palavras"?
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Nada adiantará! Quero minha ordem perdida de palavras! Não as rejeitarei mais, mesmo cansada, a minutos de um novo dia, me ponho aqui, cativa a elas para pagar meu pecado de tê-las desprezado conscientemente.